DERCY GONÇALVES NA NOVELA CAVALO AMARELO
Com muito pesar, perdemos a centenária Dercy Gonçalves neste último final de semana em decorrência de uma pneumonia. Esta postagem não irá descrever toda sua brilhante carreira, ou sua vida. Vamos homenageá-la citando um sucesso da teledramaturgia de 1980, a novela "Cavalo Amarelo".Com o declínio, e inevitável falência da Rede Tupi, muitos artistas e autores de novelas transferiram-se para outras emissoras. A disputa entre a Rede Globo e a TVS, que logo seria o SBT, era grande. Entretanto, correndo por fora, a Rede Bandeirantes conseguiu contratar artistas de bom nível, tendo como destaque a atriz Dercy Gonçalves.
Dercy estreou na Bandeirantes na novela "Cavalo Amarelo" de Ivani Ribeiro, fazendo o papel da ex-vedete Dulcinéa, que estava desesperada com a perspectiva de perder seu teatro, o Mambembe, cujo prédio pertence a uma família tradicional, os Maldonado. O patriarca Salvador Maldonado era implacável, uma pessoa austera que não perdia tempo controlando a vida de seus filhos. Um deles, Téo, é noivo de Maria do Carmo, embora ame mesmo Pepita, sobrinha de Dulcinéa. Ao longo da trama, o patriarca falece e inicia-se a disputa pela herança, o que traz à tona um grande segredo: o velho Salvador Maldonado era pai de seu fiel empregado Zeca.
Além de Dercy, o elenco trazia Yoná Magalhães, Fúlvio Stefanini, Wanda Stefânia, Márcia de Windsor e Jorge Dória. Era um time de tirar o chapéu, e Dercy tinha liberdade de praticamente interpretar a si mesma, fazendo improvisos, caretas, expressões mais fortes que o comum em uma novela, e muito mais.
Surpreendentemente, "Cavalo Amarelo" foi um grande sucesso, e incomodou a poderosa Rede Globo que estava no auge, realizando novelas e miniséries de alto nível. Tudo isso graças à irreverência de Dercy que fez poucos trabalhos na televisão, mas todos marcantes.
Dercy tem o privilégio de ser imortal.

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